Desde a madrugada de 2 de novembro, quem tem conta no Mercado Bitcoin não consegue sacar, depositar nem negociar. A corretora identificou um incidente de segurança, suspendeu as operações e, na noite de 4 de novembro, anunciou um cronograma de reabertura gradual a partir de segunda-feira (9). Para muitos clientes, a pausa trouxe uma pergunta prática: vale ter uma segunda corretora pronta para quando os saques voltarem?

A seguir, você encontra a linha do tempo do caso, o que muda em cada fase da reabertura e um plano em duas etapas para abrir conta na Brasil Bitcoin agora e transferir seus ativos quando o Mercado Bitcoin liberar as retiradas. A cobertura detalhada do ataque está na nossa matéria sobre o hack do Mercado Bitcoin.

Linha do tempo do incidente

  • Domingo, 1º/11, por volta das 23h15 (Brasília): segundo a empresa de segurança Hypernative, começam saídas suspeitas de carteiras ligadas à corretora em pelo menos dez redes, entre elas Bitcoin, Ethereum, Solana, Tron, Polygon, Arbitrum, Avalanche, BNB Smart Chain e Stellar.
  • Segunda, 2/11, manhã: o Mercado Bitcoin publica o primeiro comunicado. Diz que identificou e conteve o incidente, que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados, e suspende depósitos, saques e o acesso ao app.
  • Terça, 3/11: a corretora estima em US$ 36,3 milhões (cerca de R$ 199 milhões) o valor afetado e informa US$ 12,9 milhões bloqueados com apoio de Tether, Circle, Paxos, BRL1 e Chainalysis. Analistas de blockchain falam em mais de US$ 46 milhões.
  • Quarta, 4/11, noite: o Mercado Bitcoin anuncia a reabertura em fases a partir de 9/11 e diz que vai recompor as carteiras afetadas com recursos próprios. O valor congelado passa de US$ 15 milhões.

A origem técnica da invasão ainda não foi divulgada.

O que muda em cada fase da reabertura

Fase Quando O que o cliente consegue fazer
Fase 1 A partir de segunda-feira, 9/11 Acessar o site para consultar saldo, extrato, patrimônio e investimentos
Fases seguintes Sem data divulgada Transferências, saques e negociação, liberados à medida que cada módulo passa pela validação final de segurança

Ou seja: a partir do dia 9 o cliente volta a ver o saldo, mas ainda não consegue movimentar. Segundo a corretora, nenhum cliente perde os ativos que tinha na carteira no momento do incidente, e os saldos continuam registrados. Não é preciso fazer nada para garantir isso.

O caso não aconteceu isolado

O ataque veio três dias depois do maior roubo da história do setor e em meio a uma sequência de incidentes em corretoras centralizadas:

Data Corretora Valor envolvido Situação informada
Fevereiro de 2025 Bybit Cerca de US$ 1,5 bilhão Reservas recompostas em cerca de 72 horas
Setembro de 2026 Bitget Cerca de US$ 351,6 milhões Caso investigado
29 de outubro de 2026 Binance Cerca de US$ 6,3 bilhões Saques retomados em fases desde 1º de novembro
2 de novembro de 2026 Mercado Bitcoin US$ 36,3 milhões (estimativa da corretora em 3/11) Reabertura em fases a partir de 9/11
2 de novembro de 2026 BitMart Em apuração A corretora suspeita do mesmo grupo do ataque ao Mercado Bitcoin

Golpes que costumam aparecer nesta hora

A própria corretora alertou para tentativas de fraude ligadas ao incidente. Os formatos mais comuns em casos assim:

  • Falso reembolso: mensagem que promete devolver o saldo mais rápido se você clicar em um link ou informar seus dados.
  • Taxa de liberação: pedido de Pix ou de cripto para “destravar” a conta. Nenhum procedimento legítimo cobra isso.
  • Suporte falso nas redes: perfis que imitam a corretora e chamam no privado.

A regra é simples: informações sobre a reabertura saem só pelos canais oficiais do Mercado Bitcoin.

E a Brasil Bitcoin?

A pausa mostrou, na prática, o que acontece quando todo o patrimônio está em uma única plataforma: enquanto ela não reabre, não há como vender nem sacar. Ter uma segunda conta já verificada não resolve o saldo travado, mas encurta o caminho quando os saques voltarem.

A Brasil Bitcoin é uma corretora brasileira que opera desde 2018, com 650 mil clientes, R$ 28 bilhões negociados e mais de 200 ativos. Está em processo de autorização junto ao Banco Central como SPSAV. O cadastro é gratuito, o depósito em reais por Pix ou TED não tem taxa, e a ordem passiva paga de 0,20% a 0,05% conforme o volume em 30 dias.

Abra sua conta na Brasil Bitcoin

Plano em duas etapas: o que fazer agora e o que fazer depois

Etapa 1: agora, enquanto o Mercado Bitcoin está fechado

A parte mais demorada de trocar de corretora é o cadastro e a análise de documentos. Dá para adiantar tudo isso esta semana:

  • Cadastre-se pelo app da Brasil Bitcoin (App Store ou Google Play) ou em brasilbitcoin.com.br, informando e-mail e CPF (ou CNPJ, para empresas).
  • Envie a verificação de identidade já no primeiro acesso. Sem ela, o depósito em reais fica limitado a R$ 10 mil acumulados e o recebimento de cripto fica bloqueado. Com a verificação aprovada, o limite de depósito sobe para R$ 50 mil por mês e as transferências de cripto ficam sem limite.
  • Ligue a verificação em duas etapas (2FA) e anote em lugar seguro os códigos de recuperação.
  • Se quiser operar desde já, use dinheiro que está no banco: toque em Depositar, escolha Real (BRL) e transfira por Pix de uma conta no seu nome. Na tela do seu banco, o recebedor aparece como Brasil 8 SPSAV Ltda, CNPJ 41.043.469/0001-95. Os primeiros depósitos de maior valor podem passar por análise de até 48 horas. O passo a passo com telas está no guia do primeiro depósito.

Etapa 2: quando o Mercado Bitcoin liberar as transferências

Como a corretora vai religar as funções aos poucos, confira se o saque do ativo que você quer mover já está disponível antes de começar.

  • Copie o endereço de depósito na Brasil Bitcoin: em Depositar, escolha o ativo e a rede. Se a rede exigir memo ou tag, copie também.
  • Repita exatamente a mesma rede no Mercado Bitcoin ao fazer o saque. Ativo certo na rede errada pode não chegar.
  • Mande primeiro uma quantia pequena e espere ela aparecer no seu saldo. Deu certo, envie o resto.
  • Saldo em reais? Saque via Pix para uma conta bancária no seu CPF e, de lá, deposite na Brasil Bitcoin.
  • Salve os comprovantes das duas pontas. Eles ajudam na declaração do Imposto de Renda.

Uma transferência de cripto confirmada na blockchain não tem botão de desfazer, então a conferência de rede e endereço vale mais que a pressa. Mais detalhes no guia como transferir cripto entre carteiras.

Perguntas frequentes

Vou perder meus ativos no Mercado Bitcoin?
Segundo a corretora, não. Ela afirma que vai recompor as carteiras afetadas com recursos próprios e que os saldos continuam registrados.

Quando poderei sacar do Mercado Bitcoin?
A partir de 9/11, o acesso volta só para consulta. Saques, transferências e negociação voltam depois, sem data divulgada até 5/11.

Preciso fazer algo para garantir meu saldo?
Segundo a corretora, não. Desconfie de qualquer mensagem que peça dados, cliques ou pagamentos para “garantir” ou “liberar” saldo.

Mover cripto de uma corretora para outra gera imposto?
Transferir entre contas da mesma titularidade não é venda. A apuração de ganho de capital acontece na alienação, como venda ou troca. Na dúvida, fale com seu contador.

A Brasil Bitcoin cobra para receber minha cripto?
Não. O que existe é a taxa de rede do saque, cobrada pela corretora de origem.


A Brasil Bitcoin está em processo de autorização junto ao Banco Central. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Informações apuradas até 05/11/2026; o cronograma de reabertura pode mudar.

Leia também: Depois do hack de US$ 6,3 bilhões: como está a Binance e quais alternativas considerar

Fontes

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