Na tarde de 29 de outubro de 2026, a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, teve cerca de US$ 6,3 bilhões drenados de suas carteiras. É o maior roubo da história do setor, mais de quatro vezes o recorde anterior.
Neste artigo, explicamos o que aconteceu, como o ataque foi feito, quem são os suspeitos, o que muda para os clientes e como proteger seus fundos.
O que aconteceu
O ataque começou às 17h05 de 29/10, no horário de Brasília, e a maior parte do dinheiro saiu em cerca de 20 minutos. Hot wallets da Binance em 10 blockchains enviaram fundos ao atacante, de Bitcoin e Ethereum a Tron, Solana e XRP Ledger (TRM Labs).
A Binance estima o impacto em cerca de US$ 6,3 bilhões, perto de R$ 34 bilhões. A Chainalysis calcula cerca de US$ 5,9 bilhões no momento do roubo, segundo a CoinDesk.
| Caso | Ano | Valor roubado |
|---|---|---|
| Binance | 2026 | US$ 6,3 bi |
| Bybit | 2025 | US$ 1,5 bi |
| Ronin (Axie Infinity) | 2022 | US$ 625 mi |
Como o ataque foi feito
O invasor não roubou as chaves das carteiras. Segundo a investigação inicial da Binance, ele assumiu a esteira interna que gera as assinaturas das hot wallets.
- O notebook de um engenheiro de DevOps da Binance foi comprometido.
- Por ele, o atacante acessou um container de serviço interno.
- Dali, enviou saques não autorizados direto das hot wallets.
O co-CEO Richard Teng disse que não foi uma ação de um clique, mas um processo complexo, e que nenhum funcionário foi responsabilizado. Em 30/10, a empresa informou ter achado outros pontos de invasão, ainda sem detalhes (Times Brasil).
No Ethereum, o atacante abusou do EIP-7702, recurso do upgrade Pectra, de maio de 2025. Ele permite que uma carteira comum delegue seu comportamento a um contrato inteligente por meio de uma autorização assinada.
O invasor enviou 50 autorizações assinadas pela carteira “Binance 14”, todas apontando para um contrato seu. Três minutos e 24 segundos depois, uma única transação levou 167.464 ETH e 63 tokens, incluindo 1,6 bilhão de USDT. A delegação ficou ativa por quase quatro horas, varrendo depósitos de clientes que chegavam.
Nas outras nove redes, as carteiras assinaram transferências comuns ao atacante em cerca de meia hora. Para a TRM Labs, o mais provável é que o invasor tenha feito o sistema de assinatura da Binance assinar transações de sua escolha.
Quem está por trás
As principais empresas de análise on-chain apontam a Coreia do Norte. A TRM Labs atribui o ataque, com alta confiança, ao TraderTraitor, unidade de hackers estatais ligada ao Lazarus Group.
- A Chainalysis também diz ter alta confiança de que o país está por trás do ataque (CNN).
- O investigador ZachXBT aponta o Lazarus Group como provável autor (CoinDesk).
- É o mesmo grupo que o FBI ligou ao hack de US$ 1,5 bilhão da Bybit, em fevereiro de 2025.
- O padrão se repete. A carteira do atacante foi abastecida com pequenos saques da Tornado Cash cerca de 36 horas antes, e o código foi testado em outras carteiras antes de atingir a Binance.
A atribuição vem de empresas privadas. Ainda não há confirmação oficial do FBI ou de governos, e a Binance diz trabalhar com as autoridades para identificar os responsáveis.
O que foi roubado e o que já foi congelado
O atacante levou mais de 80 criptoativos, mas quatro concentram mais de US$ 5 bilhões do total, segundo a Arkham (CoinDesk, Livecoins).
| Ativo | Valor na saída |
|---|---|
| Tether (USDT) | ~US$ 1,5 bi |
| Bitcoin (18.270 BTC) | ~US$ 1,5 bi |
| Ether (ETH) | ~US$ 900 mi |
| USD Coin (USDC) | ~US$ 800 mi |
Stablecoins como USDT e USDC podem ser congeladas pelo emissor; bitcoin e ether, não. Por isso, a corrida para travar os fundos começou nos primeiros minutos. A Binance fala em cerca de US$ 3 bilhões congelados, e a TRM Labs contabiliza cerca de US$ 2,7 bilhões on-chain.
| Quem congelou | Valor |
|---|---|
| Tether | ~1,77 bi USDT |
| Circle | ~825 mi USDC |
| Ripple | 40,5 mi RLUSD |
| Security Council da Arbitrum | ~US$ 30 mi |
| World Liberty Financial | 27,8 mi USD1 |
Ainda assim, cerca de US$ 2,4 bilhões seguem com o atacante, fora do alcance de qualquer emissor. Ele dividiu cerca de US$ 1,4 bilhão em bitcoin em 19 carteiras (CoinDesk), vendeu USDT por ETH com desconto e tomou ETH emprestado na Aave usando USDT roubado como garantia.
Impacto no mercado
O mercado reagiu em minutos, e US$ 1,57 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas na sequência, segundo dados da CoinDesk.
| Ativo | Queda após o hack |
|---|---|
| Bitcoin (BTC) | 4,8%, abaixo de US$ 77 mil |
| Ether (ETH) | 5,7% |
| BNB | 8% |
| Aave (AAVE) | 11% |
O bitcoin chegou à menor cotação em seis semanas. Na Índia, a CoinDCX, maior corretora do país, restringiu novas operações de futuros, e há relatos de investidores institucionais tirando fundos de corretoras.
O que muda para os clientes da Binance
A Binance promete cobrir 100% das perdas e diz que os fundos dos usuários estão seguros, segundo o anúncio oficial da empresa.
- As perdas serão cobertas pelo SAFU, fundo de proteção criado em 2018 com cerca de US$ 1 bilhão em bitcoin, e pelo caixa da empresa.
- Saques estão suspensos. A co-CEO Yi He fala em retomada em até 48 horas (Times Brasil).
- A empresa promete uma nova Prova de Reservas e um relatório técnico depois da correção.
- O roubo equivale a cerca de 4% dos US$ 144 bilhões que a Binance tinha na plataforma antes do ataque (CoinDesk).
- Binance.US e Coinbase dizem não ter sido afetadas.
Como se proteger agora
Golpistas costumam aproveitar casos como esse. Alguns cuidados reduzem bastante o risco:
- Desconfie de reembolsos. Mensagens sobre recuperação de fundos são isca comum. Nenhuma corretora pede sua senha ou frase de recuperação.
- Use só canais oficiais. A própria Binance pediu que os usuários confiem apenas nos seus canais oficiais para atualizações. Perfis falsos se multiplicam nesses momentos.
- Ative o 2FA. Use autenticação em dois fatores em todas as contas, da corretora ao e-mail.
- Não concentre tudo em um só lugar. Distribuir seus fundos entre plataformas e carteiras reduz o impacto de um incidente.
- Evite decisões no impulso. Volatilidade alta e pressa costumam sair caras.
O que ainda não se sabe
- Quais são os outros pontos de invasão que a Binance diz ter encontrado.
- Como o atacante obteve assinaturas válidas em redes com chaves e esquemas diferentes.
- Se haverá atribuição oficial pelo FBI ou por outro governo.
- O valor final, que ainda pode mudar com novos congelamentos.
E a Brasil Bitcoin?
Para quem quer levar seus fundos para outra plataforma ou continuar negociando enquanto a situação se resolve, a Brasil Bitcoin é a alternativa. É uma corretora brasileira com segurança e robustez para receber suas negociações, com mais de 200 ativos disponíveis.
Quando os saques da Binance forem retomados, é possível transferir os ativos para a Brasil Bitcoin e seguir operando normalmente.
A Brasil Bitcoin tem 650 mil clientes e R$ 28 bilhões negociados, o que a coloca entre as corretoras líderes da América Latina, e está em processo de autorização junto ao Banco Central. Abra sua conta na Brasil Bitcoin.
Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento.
Fontes
- Binance: Security Incident Update (30/10/2026)
- TRM Labs: North Korea Steals USD 6.36 Billion From Binance in the Largest Hack in History
- CoinDesk: Binance loses over $6 billion in the largest crypto hack to date
- CoinDesk: Binance hacker splits $1.4 billion of bitcoin into 19 wallets
- CoinDesk: Lazarus Group likely behind Binance hack, say blockchain sleuths
- CNN: North Korea suspected in record $6 billion theft from Binance
- Times Brasil: Binance suspende saques e promete cobrir todas as perdas
- InvestNews: Binance é alvo de ataque hacker de US$ 6,3 bilhões. Veja o que se sabe
- Livecoins: hacker rouba US$ 6,3 bilhões da Binance em USDT, Bitcoin, Ethereum e outros ativos
