Stablecoin é uma criptomoeda desenhada para manter valor estável, em vez de oscilar como bitcoin ou ethereum. Na maioria dos casos, o valor é atrelado ao dólar americano, na proporção de uma unidade para um dólar. Elas existem para resolver um problema prático: permitir que alguém guarde, transfira ou receba valor dentro do ambiente cripto sem ficar exposto à variação de preço. Na Brasil Bitcoin, as principais stablecoins podem ser negociadas diretamente em reais.

Como uma criptomoeda consegue ter preço estável

O preço de uma criptomoeda comum é definido por oferta e demanda, e por isso varia o tempo todo. A stablecoin quebra essa lógica ao criar um mecanismo que puxa o preço de volta para a referência sempre que ele se afasta.

O modelo mais comum é o lastro. A empresa emissora mantém em reserva um dólar para cada unidade emitida. Quem compra diretamente da emissora entrega dólares e recebe moedas novas. Quem resgata devolve as moedas e recebe dólares de volta.

Isso cria um piso e um teto naturais. Se a moeda cair abaixo de um dólar no mercado, compensa comprar barato e resgatar pelo valor cheio, o que reduz a oferta e empurra o preço para cima. A estabilidade não vem de tecnologia, vem da possibilidade concreta de trocar por dólar de verdade.

Os três tipos de stablecoin

Lastreadas em moeda. A reserva é composta por dinheiro e títulos públicos de curto prazo. É o modelo do USDT e do USDC, e responde por praticamente todo o volume do mercado. O risco está na qualidade da reserva e na solidez das instituições que a guardam.

Lastreadas em cripto. A garantia é feita em criptomoedas depositadas em contratos automatizados, com excesso de colateral para absorver a variação de preço do que foi dado em garantia. Funciona sem empresa emissora, mas é mais complexo e sensível a quedas bruscas de mercado.

Algorítmicas. Não têm lastro. A paridade é sustentada por um mecanismo automático que emite e destrói moedas conforme o preço. É o modelo que falhou de forma mais grave, como se verá adiante.

Quais são as principais stablecoins

O USDT, emitido pela Tether, é o mais antigo e o de maior circulação no mundo. No Brasil, é o padrão de mercado, e quem quer exposição a dólar geralmente começa por comprar USDT em reais.

O USDC, emitido pela Circle, é o segundo maior e costuma ser escolhido por quem prioriza transparência de reservas e enquadramento regulatório. O funcionamento, as redes e o histórico do ativo estão detalhados em o que é USDC, e ele também pode ser negociado em reais.

Existem ainda stablecoins atreladas a outras moedas e a metais, como o ouro, com o mesmo princípio de lastro aplicado a uma referência diferente.

Para que serve na prática

Proteção contra a variação do real. É o uso mais comum no Brasil. Converter parte dos recursos para stablecoin é uma forma de ter exposição a dólar sem abrir conta no exterior.

Sair de posição sem sair de cripto. Quem opera criptomoedas usa stablecoin para se proteger em quedas mantendo os recursos disponíveis para voltar ao mercado.

Transferências internacionais. A liquidação acontece na rede, em minutos, sem depender de horário bancário. É a base de boa parte da infraestrutura de remessa internacional com cripto.

Caixa de empresas. Companhias com receita ou custo em dólar usam stablecoin para reduzir exposição cambial. Volumes relevantes costumam ser fechados em mesa OTC, com cotação travada, e não pelo livro de ofertas.

O que pode dar errado

Stablecoin não é sinônimo de segurança. Dois episódios explicam onde estão os riscos reais.

Em maio de 2022, a stablecoin algorítmica UST perdeu a paridade e colapsou em poucos dias, levando junto o token que sustentava seu mecanismo. Não havia reserva para resgatar nada. O caso encerrou na prática a confiança no modelo sem lastro.

Em março de 2023, o USDC caiu abaixo de um dólar porque parte de suas reservas estava em um banco americano que quebrou. O preço se recuperou em dias e todos os resgates foram honrados, mas o episódio mostrou que o risco de uma stablecoin lastreada está nas instituições que guardam o dinheiro, não na criptomoeda em si.

Há ainda um terceiro risco, que independe do emissor: onde o ativo está custodiado. Stablecoin não é depósito bancário e não conta com garantia de depósitos. Se a corretora ou a carteira falharem, o lastro do emissor não resolve o problema do usuário.

Como comprar stablecoin no Brasil

O caminho é uma corretora que ofereça o par com o real, o que dispensa conversão intermediária. Na Brasil Bitcoin é possível comprar USDT e negociar USDC diretamente em reais. A corretora opera desde 2018 sob o CNPJ 29.519.837/0001-23, com sede em São Paulo.

Custos de negociação e limites por nível de verificação estão em taxas, limites e prazos.

Perguntas frequentes

Stablecoin é investimento?
Não no sentido usual. Ela não foi feita para valorizar, e sim para manter valor. Serve como proteção cambial e como meio de transferência, não como ativo de ganho de capital.

Qual a melhor stablecoin?
Depende do uso. USDT tem mais liquidez e é mais aceito no Brasil. USDC costuma ser preferido por transparência de reservas. Para a maioria das operações em reais, a liquidez disponível é o critério mais relevante.

Stablecoin pode perder o valor?
Pode. Já aconteceu com stablecoins lastreadas, em episódios pontuais, e de forma definitiva com modelos algorítmicos sem lastro.

Preciso declarar stablecoin no imposto de renda?
Criptoativos são declaráveis no Brasil, com regras próprias de posição e de ganho de capital. As condições variam conforme valor e tipo de operação.

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