Digitra encerra operações: prazo até 21 de setembro

A Digitra.com encerra operações de negociação e custódia de criptoativos para o varejo no Brasil. A empresa decidiu não pedir autorização ao Banco Central para seguir nesse segmento e definiu 21 de setembro de 2026 como data-limite para que os clientes retirem seus ativos. O que ficar na plataforma depois disso será liquidado pela própria Digitra.

São cerca de 200 mil clientes, entre brasileiros e estrangeiros, com uma data no calendário e algumas decisões a tomar. Este texto organiza as duas coisas.

Os prazos que importam

Data O que acontece
21 de setembro de 2026 Último dia para saques em criptoativos e em reais
Após 21 de setembro Ativos remanescentes liquidados pela Digitra
30 de outubro de 2026 Fim do acesso ao histórico de operações
Período de transição Canais oficiais de atendimento permanecem ativos

Dois avisos da própria empresa merecem destaque. O primeiro: clientes com pendências cadastrais ou de verificação precisam regularizá-las, porque isso é condição para sacar, e o processo de recuperação de acesso pode levar alguns dias. O segundo: pelo volume de solicitações esperado, os saques em reais podem demorar mais que o habitual. A recomendação da Digitra é não deixar a movimentação para os últimos dias de cada fase.

Por que a Digitra saiu do varejo

A empresa foi direta ao apontar a causa. Em declarações ao Valor Econômico, citou nominalmente as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, que passaram a exigir autorização prévia, estrutura de governança, requisitos operacionais e regras de capital das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais. A avaliação interna foi de que essas exigências tornaram inviável manter uma operação de varejo ainda em fase de tração.

O capital mínimo definido pelo Banco Central ficou entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões, conforme a atividade — valor bem acima do que a própria consulta pública havia sugerido, na faixa de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões.

Segundo Rodrigo Batista, CEO da Digitra.com, a empresa segue analisando alternativas para a oferta de produtos de infraestrutura. O que encerra é a operação de varejo.

A Digitra foi a terceira corretora brasileira a anunciar a saída do varejo em 2026, depois de Bitnuvem e NovaDAX, e antes da Coinext. A Bitso, no mesmo período, deixou de atender pessoas físicas no país. O prazo para o pedido de autorização ao BC termina em 30 de outubro de 2026.

A migração para a Foxbit é voluntária

Junto com o anúncio, a Digitra fechou uma parceria com a Foxbit para receber os clientes que quiserem migrar. Vale ler os termos com atenção, porque eles são explícitos: o processo é voluntário e independente, sem transferência automática de contas, saldos ou ativos, e respeitando os procedimentos próprios de cadastro, verificação e compliance da Foxbit.

Em outras palavras, migrar para lá é abrir uma conta nova e passar pelo KYC, exatamente como você faria em qualquer outra corretora. A parceria pavimenta um caminho, mas não fecha os demais. Seus ativos são seus e você decide o destino, desde que faça o saque dentro do prazo.

O caso específico do token DGTA

Quem tem DGTA precisa de uma decisão à parte. O token foi emitido pela Digitra.com e está registrado em rede de forma independente da plataforma, o que significa que ele continua existindo depois do encerramento.

O que deixa de existir é o mercado. A Digitra informou que não manterá ambiente de negociação para o DGTA e não atuará como formadora de mercado, e que não presta qualquer garantia quanto à existência de mercado, liquidez ou valor do token após o encerramento. Negociações entre terceiros ocorrem por conta e risco dos envolvidos.

Na prática: antes de transferir DGTA para qualquer lugar, verifique se existe algum mercado com liquidez para ele no destino. Se não existir, você estará movendo um ativo que não consegue vender.

O que fazer, nesta ordem

  1. Entre na conta hoje e confira se o cadastro está regular. Verificação pendente é o principal motivo de saque travado, e resolver leva dias que você não tem sobrando.
  2. Baixe o histórico completo. Extratos, ordens, comprovantes. O acesso vai até 30 de outubro, mas não vale arriscar.
  3. Abra a conta de destino antes de sacar. O KYC da nova corretora também leva tempo.
  4. Faça um teste com valor pequeno, confirme a chegada e só então mova o restante.
  5. Use apenas os canais oficiais. A própria Digitra alertou os clientes para desconfiarem de contatos feitos por terceiros. Nenhuma corretora pede senha, código de autenticação ou frase de recuperação.

Sobre impostos: transferir criptoativos entre contas de mesma titularidade não é uma venda. A liquidação automática dos ativos que ficarem após 21 de setembro, por outro lado, é uma alienação e entra na apuração de ganho de capital. É mais um motivo para não perder o prazo — além de perder o controle sobre o momento e o preço da venda.

E a Brasil Bitcoin?

A Brasil Bitcoin opera desde fevereiro de 2018 e está em processo de autorização junto ao Banco Central para seguir operando em conformidade com o novo marco regulatório. A plataforma funciona normalmente, com mais de 700 mil clientes e R$ 25 bilhões negociados desde a fundação. Se você está avaliando para onde levar seus ativos, a tabela de taxas e a lista de mais de 150 criptoativos estão públicas em brasilbitcoin.com.br.

Conhecer a Brasil Bitcoin →

Perguntas frequentes

Sou obrigado a migrar para a Foxbit? Não. A parceria é voluntária, sem transferência automática de contas, saldos ou ativos. Você pode sacar para qualquer corretora ou para uma carteira própria.

O que acontece se eu não sacar até 21 de setembro? Os ativos remanescentes serão liquidados pela Digitra conforme as regras do encerramento. Você perde o controle sobre quando e a que preço a venda acontece, e ainda assim ela conta para fins fiscais.

Consigo pegar meu histórico depois de sacar? Sim, até 30 de outubro de 2026. Depois disso, a Digitra informou que a disponibilização de documentos fiscais observará as obrigações aplicáveis. Baixe tudo antes.

Quais outras corretoras estão fechando? Cinco anunciaram a saída do varejo em 2026. Reunimos os casos e os prazos em corretoras de criptomoedas encerrando operações no Brasil.


Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Confira sempre os prazos e comunicados oficiais da corretora em que você mantém ativos.

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