A Bity encerra as operações no Brasil. A empresa, dona do app Bitybank e da plataforma Bitypreço, anunciou nesta sexta-feira (2 de outubro de 2026) o fim das atividades no país. São cerca de 850 mil clientes e mais de R$ 1 bilhão em ativos sob custódia, segundo o que foi divulgado à imprensa. Junto com o anúncio veio um acordo com o Mercado Bitcoin para receber os clientes que quiserem migrar.
A migração é opcional. Ninguém é obrigado a levar o saldo para a corretora indicada, e é aqui que surgem as dúvidas: quais são as outras saídas, quais são os prazos e o que acontece com quem não fizer nada? Este guia responde a cada ponto.
Não quer migrar para o Mercado Bitcoin? Leve seus ativos para a Brasil Bitcoin
Se você não quer seguir para o destino indicado pela Bity, a Brasil Bitcoin é uma alternativa direta. Você não precisa vender nada: abre a conta, conclui o cadastro e transfere cada criptoativo da Bity para o seu endereço de depósito na Brasil Bitcoin. O saldo em reais vai por PIX. A posição continua a mesma, sem evento de venda e sem imposto na transferência.
A Brasil Bitcoin opera desde fevereiro de 2018, está em processo de autorização junto ao Banco Central e funciona normalmente, com mais de 700 mil clientes, R$ 25 bilhões negociados e mais de 150 criptoativos listados. A taxa maker vai de 0,20% a 0,05%, conforme o volume negociado em 30 dias, e faz parte da tabela padrão da plataforma, não de uma condição temporária de boas-vindas.
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Em resumo
- A Bity (Bitybank e Bitypreço) vai encerrar as operações no Brasil.
- Quem quiser pode aderir à migração para o Mercado Bitcoin, que começou em 2 de outubro.
- A migração não é obrigatória: você pode transferir seus criptoativos para outra corretora, como a Brasil Bitcoin, levar para uma carteira própria ou vender e sacar em reais.
- Deixar o saldo parado até o fim do prazo pode resultar na conversão automática dos criptoativos em reais.
- Transferir cripto entre contas suas não gera imposto. Vender, inclusive por conversão automática, pode gerar.
O que a Bity anunciou
A Bity nasceu em 2018 como Bitypreço, um marketplace que buscava o melhor preço de bitcoin entre várias corretoras. Em 2022 incorporou o Biscoint, comparador de preços de criptomoedas, e passou a reunir os produtos sob a marca Bity, com o app Bitybank como principal porta de entrada para o investidor pessoa física.
O acordo anunciado em 2 de outubro prevê que os clientes que aderirem possam transferir saldos em reais e em criptoativos para uma conta no Mercado Bitcoin. Depois da aprovação do cadastro na nova corretora, o saldo aparece na conta. Para quem migrar por esse caminho, o Mercado Bitcoin anunciou condições de boas-vindas, como um período ampliado de taxa zero na compra e venda de cripto e atendimento dedicado para clientes com custódia maior.
No mesmo dia, a Bitypreço também anunciou uma parceria com a Bipa para oferecer migração aos seus clientes, igualmente opcional e dependente de consentimento. Ou seja: existe mais de um destino sugerido, e nenhum deles é automático.
Prazos divulgados até agora
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 2 de outubro de 2026 | Anúncio do encerramento e início da transferência de saldos para quem aderir à migração |
| 30 de outubro de 2026 | Prazo para corretoras que já operavam protocolarem o pedido de autorização no Banco Central |
| 27 de novembro de 2026 | Data informada aos clientes da Bitypreço para sacar os criptoativos ou aderir à migração. Depois disso, o saldo em cripto é convertido em reais |
| 29 de novembro de 2026 | Prazo final da migração de criptoativos para o Mercado Bitcoin e das condições de boas-vindas |
| 2 de abril de 2027 | Prazo final informado para o saque de valores em reais na Bitypreço |
As datas podem variar entre Bitybank e Bitypreço. Confira o cronograma exato da sua conta no app e nos e-mails oficiais da Bity antes de tomar qualquer decisão.
Por que a Bity encerra as operações
A empresa não apontou um motivo único. O anúncio, porém, acontece no meio da maior reorganização do mercado cripto brasileiro desde que o Banco Central passou a regular o setor. Pelas Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, toda prestadora de serviços de ativos virtuais precisa de autorização para funcionar. Quem já operava tem até 30 de outubro de 2026 para protocolar o pedido.
As exigências de capital, governança, segurança e compliance subiram, e várias empresas preferiram sair do varejo a se adaptar. Em 2026 já anunciaram encerramento ou saída do atendimento a pessoa física a Bitnuvem, a NovaDAX, a Digitra.com, a Bitso e a Coinext. Reunimos os casos em corretoras de criptomoedas que estão encerrando operações no Brasil.
Você não é obrigado a migrar para o Mercado Bitcoin
A migração depende da sua adesão. O Mercado Bitcoin é o destino indicado pela Bity, com condições próprias para quem chegar por esse caminho, mas nada impede que você saque seus ativos, em cripto ou em reais, e leve para a corretora ou carteira que preferir.
Vale decidir com calma, sem deixar para a última semana. Quanto mais perto do prazo, maior a fila de cadastros, saques e atendimento.
As 5 opções para quem é cliente da Bity
1. Aderir à migração indicada
É o caminho com menos etapas: você aceita a transferência pelos canais oficiais da Bity, conclui o cadastro na corretora de destino e encontra o saldo lá. Para clientes da Bitypreço, também existe a opção pela Bipa. Antes de aceitar, leia os termos com atenção, principalmente o que passa a valer quando o período de boas-vindas terminar.
2. Transferir seus criptoativos para outra corretora, como a Brasil Bitcoin
Você escolhe a corretora, abre a conta e envia cada criptoativo da Bity para o endereço de depósito dela. Os ativos mudam de lugar sem ser vendidos: você mantém a posição e não há evento de venda. É a opção para quem quer escolher o destino com base em taxas, ativos disponíveis e experiência de uso, e é o caminho para trazer seu saldo para a Brasil Bitcoin. O passo a passo está logo abaixo.
3. Levar para uma carteira própria
Se a ideia é guardar por muito tempo e você está confortável em proteger sua própria frase de recuperação, pode transferir os ativos para uma carteira em que só você tem as chaves. Veja como criar uma carteira de bitcoin. Quem pretende negociar com frequência costuma preferir manter o saldo em uma corretora.
4. Vender e sacar em reais
Você vende os criptoativos na própria Bity enquanto a negociação estiver disponível e saca os reais por PIX para uma conta bancária no seu CPF. Funciona para quem quer sair do mercado ou ainda não decidiu para onde ir. O ponto de atenção: vender é um evento fiscal e, se depois quiser recomprar, você paga taxas duas vezes e pode recomprar a um preço diferente.
5. Não fazer nada
É a pior opção, porque tira de você a decisão. Pelo cronograma divulgado para a Bitypreço, os criptoativos que não forem sacados nem migrados até a data limite serão convertidos em reais. Você não escolhe o momento nem o preço da venda, e a conversão conta como venda para fins de imposto de renda.
Como transferir seus criptoativos da Bity para outra corretora
- Abra a conta na corretora de destino e conclua a verificação. Faça isso primeiro: a aprovação de cadastro pode levar algum tempo, e a procura tende a crescer perto do prazo.
- Liste o que você tem na Bity. Anote cada criptoativo, o saldo e a taxa de saque de cada um. Confira se a corretora de destino negocia todos eles.
- Exporte seu histórico. Baixe extratos e o histórico de operações enquanto a conta está ativa. Você vai precisar do custo de aquisição para o imposto de renda.
- Gere o endereço de depósito. Na corretora de destino, copie o endereço do ativo que vai enviar e confira a rede. O USDT, por exemplo, existe em mais de uma rede, e enviar pela rede errada pode significar perder os fundos.
- Faça um envio de teste. Mande um valor pequeno primeiro e espere chegar.
- Envie o restante e guarde o comprovante. Salve o hash da transação (TXID) de cada envio.
- Leve o saldo em reais por PIX. Saque para uma conta bancária no seu CPF e, depois, deposite na nova corretora.
Imposto de renda: o que muda em cada opção
Transferir criptoativos entre contas e carteiras de sua titularidade não é venda e, portanto, não gera imposto. Você só precisa manter o registro do custo de aquisição original, que continua valendo na nova corretora.
Vender, ou ter o saldo convertido automaticamente em reais, é alienação. Pelas regras em vigor, vendas que somem até R$ 35 mil no mês são isentas de imposto sobre o ganho de capital. Acima disso, o lucro é tributado. Em qualquer cenário, os ativos precisam constar na declaração anual. Na dúvida, fale com um contador.
Cuidado com golpes durante a migração
Encerramento de corretora atrai golpistas. Fique atento:
- Use apenas o app e o site oficiais da Bity e os canais oficiais da corretora de destino.
- Nenhum suporte legítimo pede sua senha, o código de autenticação em dois fatores ou a frase de recuperação.
- Não clique em links recebidos por SMS, WhatsApp ou redes sociais que prometam liberar ou acelerar saques.
- Desconfie de quem oferece ajuda com a migração por mensagem direta ou promete rendimento garantido.
O que comparar antes de escolher a nova corretora
- Situação regulatória. Prefira empresas que já protocolaram, ou vão protocolar dentro do prazo, o pedido de autorização no Banco Central.
- Taxas permanentes. Condições de boas-vindas acabam. Compare a tabela que vale depois delas: taxa de negociação, saque em reais e saque de cripto.
- Ativos disponíveis. Confira se todos os criptoativos que você tem na Bity são negociados no destino, para não precisar vender nada.
- Liquidez em reais. Um livro de ofertas com volume reduz a diferença entre o preço que você vê e o preço que você paga.
- PIX. Velocidade e custo de depósito e saque em reais fazem diferença no dia a dia.
- Atendimento. Veja se há suporte humano e canais claros.
- Histórico. Tempo de operação e volume negociado mostram como a empresa atravessou outros ciclos de mercado.
E a Brasil Bitcoin?
Se você decidiu não seguir para o Mercado Bitcoin, a Brasil Bitcoin recebe seus criptoativos e seu saldo em reais sem que você precise vender nada. A plataforma opera desde fevereiro de 2018 e está em processo de autorização junto ao Banco Central para seguir operando em conformidade com o novo marco regulatório. A tabela de taxas e a lista completa de criptoativos estão públicas no site.
Perguntas frequentes
Sou obrigado a migrar da Bity para o Mercado Bitcoin?
Não. A migração é opcional e depende da sua adesão. Você pode transferir seus criptoativos para outra corretora, como a Brasil Bitcoin, para uma carteira própria ou vendê-los e sacar em reais.
Posso transferir meus criptoativos da Bity para a Brasil Bitcoin?
Sim. Abra sua conta na Brasil Bitcoin, conclua o cadastro, gere o endereço de depósito de cada ativo e faça o envio a partir da Bity, conferindo a rede. O saldo em reais vai por PIX, passando por uma conta bancária no seu CPF. Como não é venda, a transferência não gera imposto.
O que acontece se eu não sacar nem migrar meu saldo da Bity?
Pelo cronograma divulgado para a Bitypreço, os criptoativos que não forem sacados nem migrados até 27 de novembro de 2026 serão convertidos em reais, e o saque em reais fica disponível até 2 de abril de 2027. Confirme as datas da sua conta nos canais oficiais da Bity.
Transferir minhas criptomoedas da Bity para outra corretora gera imposto?
Não. Transferência entre contas da mesma titularidade não é venda. Guarde o histórico de compras para manter o custo de aquisição. Já vender, ou ter o saldo convertido em reais, pode gerar imposto se as vendas do mês passarem de R$ 35 mil e houver lucro.
Posso levar meu saldo em reais da Bity para outra corretora?
Sim. Saque por PIX para uma conta bancária no seu CPF e depois deposite na corretora que escolher.
Até quando posso aderir à migração para o Mercado Bitcoin?
O prazo final divulgado para a migração de criptoativos e para as condições de boas-vindas é 29 de novembro de 2026.
Por que tantas corretoras estão fechando em 2026?
O Banco Central passou a exigir autorização para prestadoras de serviços de ativos virtuais, com prazo até 30 de outubro de 2026 para quem já operava. Parte das empresas preferiu encerrar ou transferir a base de clientes a cumprir as novas exigências.
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